segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Panos de seda

texto gentilmente cedido pela autora


PANOS DE SEDA..


Vestiu seu corpo
Com panos de seda....
Cobriu as saudades..
Com o manto da noite...
Buscou respostas..
No brilho das estrelas....
Jogou suas lagrimas
No mar das lembranças....
e caminhou ao luar
Rumo a esperança.


(Helo Crosio)

sábado, 24 de outubro de 2009

Sábado de céu e de sOl

SÁBADO DE CÉU E DE SOL
Sábado de céu e de sol.
E eu me sinto vazio,
o que falta é você.
Pergunto ao meu coração
o que foi que ele fez
pra ficar sem você.
Tolinho!
Não tem a resposta.
Só sabe que gosta,
que adora você.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

MANHÃ DE DOMINGO EM PLENO VERÃO



MANHÃ DE DOMINGO EM PLENO VERÃO

Ele acordou com os sons do que identificou claramente; eram socos surdos e gemidos abafados. Na parede o ponteiro maior do relógio descia na direção do menor que apontava para o número seis. Por um breve instante alinharam-se os dois ponteiros. Estiveram tão próximos que pareciam constituir um único ser. Ele ouviu agora o som de uma porta que bateu forte. Seus olhos rasos de água permaneceram sobre o ponteiro menor a que o maior abandonara em busca das alturas.

Naquela manhã ele não escreveu.

Precisou resgatar sua alma, que o abandono e o desamor haviam empurrado para as profundezas de um abismo. Ao encontrá-la a viu pequenininha e acuada, precisando de um encorajamento que ele temeu não ter para dar. Reagiu, entretanto, com base em seu calejado coração ferido por tantos anos de rejeições sofridas.

Foi só no final daquela mesma tarde que ele voltou a ver Valdiva.

A menina – porque apesar de crescida não era mais do que uma menina – tinha naquele início de noite um olho quase fechado por uma protuberância na cor quase chumbo no rosto constrangido.

-- Pode contar uma história de amor? Sei que escreve, mas não tenho saco para ler.

-- Acontece. Ouviu falar sobre os alinhamentos dos planetas?

Ela sentou-se sobre o gramado recostando-se sobre uma das bases do banco de madeira. Com as pernas esticadas arfou o peito fazendo-se sexi.

-- No céu? – perguntou

-- É! Lá no céu. Alinhados parecem tão próximos. É como se fossem um só.

-- Que lindo!

-- Acontece muitas vezes desde que o mundo é mundo. Por algum tempo ficam juntos. Depois cada um segue seu destino.

-- Quando é que essa angustia chega ao fim?

-- Só lá na eternidade.

Valdiva abriu um sorriso.

-- Então há esperanças?

Ele contemplou o rosto que lhe pareceu pleno de luz.

Curioso como há tantas pessoas transbordantes de amor e que, no entanto, vegetam esquecidas na escuridão a que lhes empurram a rejeição e o desamor.

Ele deixou a menina vizinha no portãozinho da casa dela. Foi para o tear, para varar a noite tecedo histórias de amor.

sábado, 26 de setembro de 2009

Jante comigo esta noite.

Montagem reginaLU
Tubes de:
Aclis (paisagem)
Nikita (mulher)
Luz Cristina (homem)



JANTE COMIGO ESTA NOITE

Ela havia jurado que nunca mais sairia com os pais e naquele início de noite seguia irritada, obrigada a ceder. Vingara-se, entretanto, no modo de se vestir. E logo depois que eles chegaram ao imenso salão, ela não se conformou em permanecer à mesa vendo o pai tomar do wisk, puxando assuntos desinteressantes. Não! Ela achou um modo de sair e foi rodear a churrasqueira.

Os discursos enfadonhos começaram logo depois da chegada do governador. Quando o homem chegou houve aquele burburinho, as pessoas se puseram em pé, riram e aplaudiram. Enquanto o governador permanecesse no salão estaria se esforçando para descer de seu pedestal mostrando-se um homem comum. E no sentido contrário os outros, cada um ao seu modo, estariam se esforçando para que os outros os vissem elevados às alturas, participando da mesa do mandatário.

Sem o menor interesse pelo que pudesse haver naquele salão ela arrumou uma desculpa e dispondo-se a brincar com uma criança saiu para o jardim. Foi quando pela primeira vez pôs os olhos sobre aquele moço. Ele não disse nada. Apenas olhou e permaneceu em pé. Ela passou por ele. Passou segurando na mãozinha da criança a quem agora usou como quem se apóia em uma muleta emocional. O coração estava batendo forte, uma sensação estranha a dominava. Depois que passou por ele segurou a vontade de olhar. Queria ter um comportamento natural, mas suas reações não estavam sendo comandadas por sua mente . Até no modo de falar com a criança sentia que todas as suas atitudes brotavam de uma incontrolável vontade de chamar a atenção sobre si.

A noite estava bonita. Ela, intranqüila, andou conversando em voz alta e excitada com a criança que mal sabia falar. Sentou-se finalmente em um dos bancos de ferro deixando a criança brincar sobre as pedrinhas brancas. – Que ódio! Ele não virá!

Não foi mesmo. Do banco ela viu quando a moça se aproximou dele, houve um beijo no rosto, um sorriso, um dedo de prosa. E juntos desapareceram daquela porta imensa que dava acesso ao jardim.

Ela queria morrer.

Voltou ao salão, deixou a criança com alguém e foi perguntar à mãe sobre quando voltariam para casa. E lá estava o rapaz, em pé, sem a moça, conversando com o pai dela.

O pai a chamou.

-- A chance que você queria para seu estágio. – disse-lhe o pai. – ele tem acesso à moça que chefia o cerimonial.

O rapaz sorriu para ela. Um sorriso, um aceno. Um olhar discretíssimo que, no entanto, a perturbou ainda mais. Ela não soube o que dizer, nem ele. Mas assim como ela viu nitidamente que ele estava bem vestido, com as unhas feitas e levemente perfumado, também ele certamente a viu naquelas roupas inadequadas para o ambiente, destituída de adornos, descuidada e feia.

Nos próximos dias ela passou por diversos corredores até que finalmente sentou-se diante da psicóloga para a entrevista. Precisou explicar os motivos que a levaram a escolher a faculdade de jornalismo. De onde havia tirado a idéia de percorrer a África. E tantas outras questões sobre as quais nunca havia pensado a fundo.

A moça que chefiava o cerimonial era a mesma a quem ela havia visto aproximar-se do moço de unhas bem feitas e sorriso danado. Aquele o dos olhos bonitos. A moça que chefiava o cerimonial falava sempre com ele pelo telefone. Eles dois tinham a bem dizer todo o controle sobre todos os passos do governador.

Depois de seis meses de estágio ela foi transferida, deixou o cerimonial. Começou a trabalhar no palácio, lotada no gabinete do vice-governador. E depois de várias semanas intermináveis, pontilhadas por encontros ocasionais no interior do palácio, com chance apenas para a troca de olhares, o moço formulou o convite para um jantar.

Maneira esquisita de formular tal convite. Ele entregou-lhe um cartão sobre o qual escrevera:

-- Jante comigo esta noite.

Ela não sabia o que fazer. Se chorar ou sorrir. Faltava-lhe o chão onde pisar. Vestiu o que de melhor havia em seu guarda roupa, arrumou os cabelos, perfumou-se. Foi um jantar inesquecível, em um restaurante de hotel de luxo.

O namoro durou dois anos, prolongando-se, portanto, além do tempo que ela permaneceu no estágio. Ele era educado, bom, atencioso, gostava muito dela, mas seu tempo era alugado ao gabinete do governador e a função que exercia o expunha a todos os olhos femininos mais famintos. Ela morria de ciúmes.

Quando o governador trocou de trono foi se sentar em uma ponta de mesa no senado. E ele também foi morar em Brasília. Ela estava quase se formando em jornalismo. Os encontros entre os dois ocorriam com a ajuda de uma tela de computador. Ela morria por ele. Ele estava morto por ela.

E apareceram outras pessoas. E ela se sentiu atraída por outras estampas.

Formada em jornalismo ela nunca foi à África.

Doce, gentil, disposto a receber a todos que o procuram, ele nunca mais encontrou olhos iguais aos dela, nem jamais deixou a mulher alguma um cartão contendo as inscrições ‘jante comigo esta noite’.

A vida faz dessas brincadeiras com muita frequência. Separa duas pessoas que mutuamente se amam. E faz isso por birra, desejando irritar escritores que escrevem contos de amor com finais felizes.

Vez por outra a brincadeira machuca bastante.








(Escrito para 'Meu Caderno de Capa de Pano")

terça-feira, 15 de setembro de 2009

EM NOSSA CASA HAVIA UMA JANELA

Em nossa casa
havia uma janela.
Por causa dela
uma cortina eu fui comprar.

Minha menina
tem sensíveis as retinas.
Os olhos dela
o Sol vinha machucar.

Não, meu senhor!
Isso nunca foi amor!
Estando longe de amar
eu me contento em adorar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Se eu pudesse



SE EU PUDESSE

Se eu pudesse
extinguiria suas dores.
E colorindo os seus amores
ajudaria em seu crescer.

Mas, como vê,
só o que posso é lhe adorar.
Dar minha vida por você.
E nunca lhe fazer chorar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sabe com quem você se parece?




SABE COM QUEM VOCÊ SE PARECE?


Sabe com quem
você se parece?
Em minha prece
há um anjo
que desce
e abençoa meu pão.

Você também,
quando chega,
me aquece.
Minha alma
se esquece
que há provação.

Você é meu anjo adorado.
Meu bem, meu pecado.
Meu céu cá no chão.