domingo, 17 de janeiro de 2010




Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez
Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz....
Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, tô tentando vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer...
Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor pra você
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu
Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai.....

Musica:PAI
Fabio Junior

O Que Eu Também Não Entendo


Composição: Fernanda Mello e Rogério Flausino


Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Prá que você possa entender
O que eu também não entendo...
Amar não é ter que ter
Sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito prá ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...
Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...
Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também...

Musica: JOTA QUEST

domingo, 6 de dezembro de 2009

Vidas Paralelas






VIDAS PARELAS

Jamais souberam, mas eram eles no saguão do hospital quando pequenos. Ela era então apenas um bebê, um minúsculo volume em cobertores nos braços da mãe que sentada aguardava pela volta do marido em um táxi. Ele, um menino magrinho esgoelando-se depois que e enfermeira aplicou-lhe o antitetânico na perna esquálida. A ele a mãe ainda tentou fazer notar a presença do bebê, mas naquele momento o medo aumentava a sensação de dor provocada pela agulha da seringa. O ferimento provocado pelo prego enferrujado fora tratado e em lugar do sapato havia no pé uma artística proteção em gaze.

Eram também eles alguns anos depois no pátio da escola. Ela ao lado da mãe já saindo do estabelecimento sem terem conseguido a matricula por falta de vaga. Ele passando por elas em desabalada corrida, chegando atrasado para mais um dia de aula.

Vidas paralelas ou quase, porque bem mais tarde notaram a existência um do outro. Aconteceu quando eram mocinhos e ele se apaixonou perdidamente por ela. Foi uma coisa assim, sem começo, sem um momento a partir do qual soubessem que estavam namorando. Não houve um pedido, não houve um ‘eu aceito’. Foi só então que as duas famílias tomaram ciência da existência uma da outra. O arremedo de namoro não foi muito longo. O pai dele foi transferido e com o pai foram todos para outros ares. Ele a levou no coração e a distância que os separava o machucou terrivelmente.

Ao contrário de outras mães de mocinhas, a mãe dela precisou de várias novenas para empurrar a filha a passeios. O primeiro amor a manteve com o coraçãozinho machucado por longo tempo. Começou finalmente a sair com as amigas, participou do baile ao completar quinze anos de idade.

Aos jovens de hoje faltam informações sobre os bailes de debutantes do passado. Agora as luzes coloridas simplificam tudo na tentativa de tornar a comemoração mais excitante. Era naquele tempo um acontecimento inesquecível, quando várias famílias, em uma noite especial, apresentavam suas filhas de quinze anos à sociedade. Cada menina tinha direito à escolha do elenco de eventos.

A ela foi oferecida uma festa completa, chique, cheia de glamour, em um clube de elite. Primeiro houve a recepção dos convidados, o coquetel e o jantar. Na recepção dos convidados a garota usou um vestido bonito e simples, cheio de detalhes infantis. Em seguida houve o cerimonial dos quinze anos, muito lindo; abertura do cerimonial, entrada do cortejo de familiares, entrada dos príncipes para a apresentação, Recebeu muitos presentes incluindo pulseiras e colares, joias que lhe vieram pelas mãos do avô emocionado. Por último, o baile com orquestra. Usou depois da meia noite um lindo vestido de gala com o qual dançou a valsa com seu pai. Deixava assim de ser menina para se tornar uma mulher. Nas lágrimas que derramou existiam componentes de diversas emoções; alegria, gratidão e a incurável dor da ausência dele ao lado dela naquele que até então era o dia mais importante de sua vida.

Ela, a partir se seu ‘debut’, se tornou apta a freqüentar reuniões sociais, a usar roupas mais adultas e teve permissão explícita para namorar.

Não!

No início não houve um namorado que não fosse ele, naquele arremedo de namoro. E ele apenas de quando em quando aparecia para vê-la. Recebido em casa, saia com ela para reuniões sociais encontrando-se ele em um grupo que lhe era absolutamente estranho, falando sobre acontecimentos dos quais não participara, programando eventos dos quais ele não participaria. Ele não estava presente na lembrança que ela guardava dos melhores momentos de sua vida. É verdade, fez-se amigo dos amigos e das amigas dela, com eles participava eventualmente de eventos diversos e em verdade se divertia. Mas havia nele a insegurança natural. Ninguém vive o tempo todo sem alguém com quem compartilhar momentos de alegria ou de dor. Mais dia, menos dia, ela acabaria saindo com outro que lhe estivesse fisicamente mais presente. Também ela passava por dificuldades nesse sentido e lhe doía perceber que ele algumas vezes era reticente em relação à sua vida pessoal. Não gostava de perceber que ele se mostrava solicito às suas amigas e não tinha certeza quanto ao futuro daquele relacionamento.

Não!

Não houve um momento em que de maneira civilizada e adulta tenha um dito ao outro que o namoro faleceu. Do mesmo modo que não houve um começo, um momento marcante para lembrar o início, não houve também um adeus, com pisadas duras no chão, com lágrimas furtivas, com chagas nos corações. Ninguém soube ninguém viu. Eles simplesmente deixaram de se encontrar. Ele simplesmente deixou de vir e ela simplesmente deixou de sentir aquele friozinho no estômago ao ver chegando o ônibus que ao longo do tempo o trouxera tantas vezes e tantas vezes o devolvera ao mundo.

O tempo trouxe um amarelo com manchas na fotografia que ele guardou na carteira de couro e que acabou colada ao plástico transparente.

Ele voltou algumas vezes, mas não mais a viu. A casa onde ela havia morado já não existia e pelos arredores ninguém parecia ter ciência de que ali residira aquela família que fora tão conhecida. O tempo transformou as paisagens pelas quais haviam passado quando mocinhos e a ele ficou muito penoso passar sozinho por aquelas ruas por onde, feliz, ela passara com ele. Para evitar o sangramento de suas feridas ele parou de vir.

Mesmo assim, ao longo da vida, soube a respeito dela esporadicamente ao encontrar-se com antigos conhecidos. Teve ciência de que ela era mãe de duas filhas, de que as levava ao parque nas manhãs de sol e que eram lindas meninas coradas. E soube, muito depois, que uma das meninas se casou fixando residência em algum ponto no centro dos Estados Unidos da América do Norte.Vez por outra sabia a respeito dela por sonhar com ela e as imagens dos sonhos misturavam-se com as que lhe vinham à mente quando alguém, muito de quando em quanto, a ela se referia trazendo notícias ou por ela perguntando. Eram interlocutores sempre contando uma ou outra passagem dos tempos distantes nos quais ela aflita esperava por ele, em pé no portão, desculpando-se perante as colegas que insistiam em que também ela fosse ao baile. Não ia. Permanecia aguardando em pé no portão, mesmo alguns anos depois que ele havia parado de vir. Mesmo depois que, com os pais, passou residir em outro bairro.

Ele sempre soube que os sucessos que obteve sem cessar nunca foram suficientes para minorar o imenso vazio que sentia em sua vida. Nunca encontrou outra pessoa ao lado de quem sua alma se sentisse tão leve e tão feliz. Nunca. Nunca se prendeu a coisa alguma, nem a ninguém. Granjeou estima, enriqueceu, garimpou em várias áreas no mundo dos negócios. Conheceu inúmeros países, percorreu mares e oceanos, sem jamais sentir a sensação de ser realmente feliz.Cansado, sem os pais, sem ninguém de seu sangue a seu lado, doente, foi aconselhado por seu médico a dispensar a governanta e passar a residir em uma casa de repouso. Ali teria com quem conversar, teria assistência profissional permanente e melhor qualidade de vida.

Por si mesmo não teria aceitado. Ele não queria entender que a vida passara, que envelhecera, que já não havia mais apostas a serem feitas em busca de sua felicidade. Não! Jamais aceitaria descansar, internar-se em uma casa de saúde procurando melhor qualidade de vida para si. Nunca! Ocorreu, entretanto um fato inesperado. As duas filhas dela vieram a ele por parte da mãe. Ela estava doente e desejava ardentemente vê-lo.

Conduzido pelas mãos das filhas dela, ele entrou com o coração estourando na residência onde ela viveu os últimos quarenta anos ao lado do marido, que também estava lá. Com o coração em pedaços encontrou-a debilitada. Andava com apoio. Pesava talvez cinquenta quilos, se tanto.

O médico fez a ele um triste relato. Nos últimos três anos a paciente fora submetida à radioterapia. O tratamento interrompera a neoplasia de mama. Contudo, em exames de rotina verificou-se recidiva da neoplasia com metástase pulmonar e de gânglios. Iniciado o tratamento com quimioterapia não houve resposta. O médico então informou à paciente e à família que não havia resposta, que a paciente tinha um prognostico reservado com expectativa de vida em torno de seis meses a um ano. Que o tratamento seria interrompido.

A filha residente nos Estados Unidos da América do Norte não tinha condições de permanecer por mais tempo no Brasil. A outra filha tinha seus compromissos e nenhuma experiência em atendimento a pacientes graves. A paciente teria, mais dia menos dia, quadros de piora. A família precisava, em tais condições, montar uma estrutura de atendimento.

Ele ofereceu uma alternativa; levá-la a uma casa de repouso.

O marido dela e os familiares dele estavam todos contrariados. Não podiam aceitar que ela, depois de tantos anos, tivesse expressado a vontade de vê-lo. Agora que o viu, não desejavam que ele a levasse para uma casa de repouso.

Triste, ele entrou na suíte de um hotel pensando em raptá-la.

Em conspiração, as duas filhas organizaram todos os procedimentos e eles dois passaram juntos seus últimos dias em uma casa de repouso. Ele, agradecendo a Deus pela ventura de cuidar dela.

sábado, 7 de novembro de 2009

Carta de amor


Carta de amor


Manhã de sábado. Um vento mais forte assanha a natureza agora e vejo pela janela que tudo vibra intensamente. É como se as árvores abrissem seus braços, excitadas, felizes, vivas, ao vigor que mexe com elas. O mundo de nosso Deus é simplesmente maravilhoso. Em outros momentos apenas uma brisa suave acaricia as pétalas de rosas silentes ao luar. Brisa que chega de mansinho, tímida, sem aquele poder transformador do vozeirão do vento, sem a sedução da agitação insensível. Brisa que chega e faz da noite um momento de paz, um clima de sonho aos corações sensíveis.


Sei que não abrirá tão logo esta carta e temo roubar seu tempo de trabalho. Mesmo assim escrevo porque sei que seu coração precisa sentir que é amado e que há quem se importe com ele. Há a brisa para aqueles momentos de ternura. Momentos esses que em nossos corações estabelecem as dimensões de cada pessoa que a vida nos traz. Não importa a quem nos associamos no mundo solar; no mundo dos sonhos de amor, nossos corações fazem as suas escolhas. O meu escolheu o seu. E vai cuidar dele.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Panos de seda

texto gentilmente cedido pela autora


PANOS DE SEDA..


Vestiu seu corpo
Com panos de seda....
Cobriu as saudades..
Com o manto da noite...
Buscou respostas..
No brilho das estrelas....
Jogou suas lagrimas
No mar das lembranças....
e caminhou ao luar
Rumo a esperança.


(Helo Crosio)

sábado, 24 de outubro de 2009

Sábado de céu e de sOl

SÁBADO DE CÉU E DE SOL
Sábado de céu e de sol.
E eu me sinto vazio,
o que falta é você.
Pergunto ao meu coração
o que foi que ele fez
pra ficar sem você.
Tolinho!
Não tem a resposta.
Só sabe que gosta,
que adora você.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

MANHÃ DE DOMINGO EM PLENO VERÃO



MANHÃ DE DOMINGO EM PLENO VERÃO

Ele acordou com os sons do que identificou claramente; eram socos surdos e gemidos abafados. Na parede o ponteiro maior do relógio descia na direção do menor que apontava para o número seis. Por um breve instante alinharam-se os dois ponteiros. Estiveram tão próximos que pareciam constituir um único ser. Ele ouviu agora o som de uma porta que bateu forte. Seus olhos rasos de água permaneceram sobre o ponteiro menor a que o maior abandonara em busca das alturas.

Naquela manhã ele não escreveu.

Precisou resgatar sua alma, que o abandono e o desamor haviam empurrado para as profundezas de um abismo. Ao encontrá-la a viu pequenininha e acuada, precisando de um encorajamento que ele temeu não ter para dar. Reagiu, entretanto, com base em seu calejado coração ferido por tantos anos de rejeições sofridas.

Foi só no final daquela mesma tarde que ele voltou a ver Valdiva.

A menina – porque apesar de crescida não era mais do que uma menina – tinha naquele início de noite um olho quase fechado por uma protuberância na cor quase chumbo no rosto constrangido.

-- Pode contar uma história de amor? Sei que escreve, mas não tenho saco para ler.

-- Acontece. Ouviu falar sobre os alinhamentos dos planetas?

Ela sentou-se sobre o gramado recostando-se sobre uma das bases do banco de madeira. Com as pernas esticadas arfou o peito fazendo-se sexi.

-- No céu? – perguntou

-- É! Lá no céu. Alinhados parecem tão próximos. É como se fossem um só.

-- Que lindo!

-- Acontece muitas vezes desde que o mundo é mundo. Por algum tempo ficam juntos. Depois cada um segue seu destino.

-- Quando é que essa angustia chega ao fim?

-- Só lá na eternidade.

Valdiva abriu um sorriso.

-- Então há esperanças?

Ele contemplou o rosto que lhe pareceu pleno de luz.

Curioso como há tantas pessoas transbordantes de amor e que, no entanto, vegetam esquecidas na escuridão a que lhes empurram a rejeição e o desamor.

Ele deixou a menina vizinha no portãozinho da casa dela. Foi para o tear, para varar a noite tecedo histórias de amor.